O ALERTA DA JAPAN AIRLINES PARA LÍDERES RESPONSÁVEIS
Quando o risco humano é tratado como exceção, a liderança perde a chance de prevenir antes da tragédia.
Quando o erro parece individual, mas não é
Sempre que um caso de uso de álcool e drogas no trabalho vem a público, a reação inicial é quase automática: alguém errou.
Um indivíduo falhou. Um desvio isolado.
Essa leitura é confortável, mas perigosa.
Ela transfere a responsabilidade para uma pessoa específica e poupa a organização de fazer a pergunta mais difícil: por que o sistema não percebeu o risco antes do colapso?
Foi exatamente isso que o mercado global precisou encarar após o caso envolvendo a Japan Airlines.
O que realmente aconteceu
Em outubro de 2018, um copiloto da Japan Airlines foi preso no Aeroporto de Heathrow, em Londres, minutos antes de comandar um voo internacional para Tóquio.
O teste de alcoolemia indicou um nível nove vezes acima do limite legal permitido para pilotos.
O mais grave: o profissional havia tentado fraudar um teste interno, realizando-o sem supervisão adequada e utilizando artifícios para mascarar o resultado.
A situação só foi interrompida porque a segurança do aeroporto percebeu sinais claros de embriaguez.
A intervenção foi externa. Não partiu do sistema interno da empresa.
O copiloto foi condenado a dez meses de prisão, perdeu o emprego e se declarou em “vergonha absoluta”.
A companhia pediu desculpas publicamente e, após o incidente, anunciou o endurecimento de suas regras e a implementação de novos sistemas de controle.

Onde o sistema falhou antes do álcool
O ponto crítico desse caso não está apenas no consumo de álcool.
Investigações posteriores revelaram que, desde 2017, a companhia já havia registrado 19 reprovações em testes de alcoolemia envolvendo pilotos.
Ou seja: não se tratava de um evento imprevisível.
Além disso, a defesa do copiloto apontou um quadro de depressão e uso do álcool como forma de automedicação.
Um sinal clássico de ambientes onde o esgotamento é naturalizado e a fragilidade não encontra espaço para ser tratada.
Havia regras.
Havia testes.
Mas faltava algo essencial: liderança preventiva capaz de enxergar o risco humano antes que ele se tornasse um incidente público.
O risco invisível que muitas empresas continuam ignorando
Esse episódio não é exclusivo da aviação.
Em setores como transporte, indústria, mineração, construção pesada e saúde, o uso de álcool e drogas no trabalho costuma aparecer como consequência, não como causa primária.
Ambientes altamente pressionados, com jornadas longas, cobrança constante e baixa margem para erro, tendem a produzir dois comportamentos perigosos:
profissionais que silenciam o próprio esgotamento
tentativas de “passar no sistema” em vez de pedir ajuda
Quando isso acontece, o teste deixa de ser visto como proteção e passa a ser percebido como ameaça.
E qualquer sistema baseado apenas em punição está condenado a falhar.
Liderança preventiva: quando testar não é punir
Empresas maduras começaram a entender que prevenir é cuidar.
Testes rápidos e bem implementados não existem para flagrar culpados, mas para:
detectar sinais precoces de risco
permitir intervenções humanas e responsáveis
evitar acidentes, atrasos e exposições jurídicas
proteger o colaborador, a equipe e a operação
Quando a prevenção é rotina, o erro deixa de ser surpresa.
A confiança cresce porque o cuidado se torna visível.
Isso é liderança preventiva aplicada à segurança operacional.
A decisão que teria blindado a operação
O caso da Japan Airlines deixa uma lição clara para gestores e decisores:
Não basta ter regras.
Não basta ter testes ocasionais.
É preciso estruturar um modelo de controle que seja:
frequente
supervisionado
rastreável
tecnicamente confiável
e integrado à cultura de cuidado
Tecnologia, nesse contexto, não é acessório.
É instrumento de defesa institucional, capaz de sustentar decisões antes, durante e depois de qualquer auditoria ou incidente.
O verdadeiro risco é ignorar
Toda empresa carrega seu “copiloto embriagado invisível”:
alguém sobrecarregado, exausto, à beira de uma decisão ruim.
A diferença entre operações frágeis e operações maduras não está na ausência de risco, mas na capacidade de medi-lo antes da crise.
Cuidar da sobriedade das equipes é proteger o negócio.
É transformar prevenção em cultura.
E mostrar, na prática, que liderança é presença, não reação.
Encerramento AGS
Empresas que não podem errar precisam ir além do controle reativo.
Estruturar políticas preventivas de álcool e drogas é uma decisão de liderança responsável, sustentada por critérios técnicos e visão de longo prazo.
A AGS apoia organizações que precisam transformar risco humano em gestão segura e decisões difíceis em operações blindadas.
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